
A campanha pela reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) enfrenta um sinal de alerta: 76% dos eleitores baianos defendem algum grau de mudança na condução do Governo da Bahia, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (29).
A Quaest disponibilizou em sua página oficial a nova rodada de julho sobre intenção de voto e avaliação do governo estadual.
De acordo com os dados encaminhados ao O Bahia Post, 43% dos entrevistados afirmaram que a gestão deve passar por mudanças parciais, com a preservação do que funciona e a correção do que não apresenta resultados satisfatórios.
Outros 33% defendem uma mudança completa na forma de governar o estado.
A soma dos dois grupos chega a 76%, o equivalente a aproximadamente três em cada quatro eleitores. O resultado mostra que a manutenção integral do modelo atual é a preferência de uma parcela minoritária do eleitorado.
O número representa um problema político para Jerônimo porque a reeleição de um governador costuma ser construída sobre a ideia de continuidade. Quando a maior parte da população afirma desejar mudanças, o ocupante do cargo passa a enfrentar o desafio de convencer o eleitor de que também pode representar renovação.
O dado, entretanto, não significa que 76% dos baianos rejeitem Jerônimo ou estejam automaticamente dispostos a votar na oposição.
A maior parcela, de 43%, pede mudanças parciais, e não uma ruptura completa. Esse grupo pode reunir eleitores que aprovam determinadas ações do governo, mas estão insatisfeitos com áreas específicas da administração.
A distinção é decisiva.
Os 33% que desejam uma mudança completa formam o segmento mais claramente favorável a uma substituição do atual modelo. Já os 43% que defendem correções parciais estarão no centro da disputa entre Jerônimo e seus adversários.
Para conquistar esse eleitor, o governador precisará reconhecer problemas sem destruir o discurso de continuidade. A oposição, por sua vez, terá de apresentar uma alternativa capaz de mudar a gestão sem provocar insegurança entre os eleitores que não desejam uma ruptura absoluta.
Na rodada da Genial/Quaest divulgada em abril, 74% dos baianos já defendiam algum tipo de mudança. Naquele momento, 40% queriam modificar apenas o que não estava funcionando, enquanto 34% defendiam uma mudança completa. Apenas 22% preferiam que o trabalho continuasse exatamente como estava.
Em julho, a soma dos que pedem mudanças passou de 74% para 76%. O movimento foi puxado pelo crescimento da parcela que deseja alterações parciais, de 40% para 43%. O grupo favorável à mudança completa oscilou de 34% para 33%.
A variação conjunta é pequena e não deve ser tratada isoladamente como uma transformação brusca do cenário. O aspecto politicamente relevante é a permanência de um sentimento amplamente majoritário de que a próxima gestão não deve simplesmente repetir o funcionamento atual.
A oposição deverá utilizar o índice para sustentar que o ciclo político comandado pelo PT na Bahia apresenta sinais de esgotamento. O partido governa o estado desde 2007, com as administrações de Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues.
ACM Neto, principal adversário do governador, adotou como lema de campanha a expressão “mudança com segurança”. O novo resultado da Quaest oferece terreno favorável a essa estratégia, porque dialoga diretamente com os 43% que querem alterações sem necessariamente defender uma ruptura completa.
A Quaest mostra, portanto, que a eleição da Bahia deverá ser disputada menos entre continuidade e ruptura absoluta e mais sobre quem terá credibilidade para conduzir as mudanças que a maioria dos eleitores considera necessárias.

