
A Bahia aparece como o único estado brasileiro com mais de 1 milhão de pessoas analfabetas, segundo dados da PNAD Contínua Educação 2025, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento aponta que cerca de 1,1 milhão de baianos com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever.
O número coloca o estado na liderança nacional em quantidade absoluta de analfabetos. Sozinha, a Bahia concentra 13,7% dos 8,384 milhões de brasileiros nessa condição. Em seguida aparecem Ceará, com 823 mil pessoas analfabetas, e Pernambuco, com 763 mil.
O dado chama atenção porque o Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de analfabetismo da série histórica da PNAD Contínua. Segundo o IBGE, o país tinha 8,4 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, o equivalente a uma taxa nacional de 4,9%. Foi a primeira vez, desde 2016, que o índice ficou abaixo de 5%.
Na Bahia, porém, a taxa segue bem acima da média brasileira. O índice estadual chegou a 9,5%, quase o dobro do percentual nacional. O resultado expõe a permanência de um dos quadros mais graves da educação brasileira justamente no estado mais populoso do Nordeste.
O recorte político amplia a pressão sobre o governo estadual. A Bahia é administrada pelo PT desde 2007, passando pelas gestões de Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues. Após quase duas décadas de continuidade do mesmo grupo no comando do estado, o dado do IBGE reforça cobranças sobre a velocidade e a efetividade das políticas de alfabetização.
A situação é mais grave entre os idosos. Dos cerca de 1,1 milhão de analfabetos baianos, 718 mil têm 60 anos ou mais, o que representa 62,7% do total no estado. Nessa faixa etária, a taxa de analfabetismo chega a 28,5%, mais que o dobro da média nacional para o mesmo grupo, de 13,8%.
O IBGE considera analfabeta a pessoa que não consegue ler e escrever um bilhete simples. Na prática, o indicador mede uma barreira que vai além da sala de aula: afeta acesso a emprego, renda, serviços públicos, informação, autonomia financeira e participação plena na vida social.
A concentração do problema entre os mais velhos revela uma dívida histórica, mas também aponta para a necessidade de políticas atuais mais agressivas. A redução do analfabetismo depende de programas permanentes de Educação de Jovens e Adultos, busca ativa, permanência escolar, apoio aos municípios e ações específicas para a população idosa.
O Nordeste ainda concentra a maior parte dos analfabetos do país. De acordo com o IBGE, 4,8 milhões de pessoas analfabetas estavam na região em 2025, o equivalente a 57,4% do total nacional. A taxa nordestina foi de 10,6%, acima da média brasileira.
Na Bahia, o resultado transforma o analfabetismo em uma das principais urgências sociais do estado. O avanço nacional mostra que o país reduziu o problema, mas a permanência de mais de 1 milhão de baianos sem saber ler nem escrever mantém a educação no centro da cobrança pública sobre o governo estadual.

