
Prints recebidos pelo Jornal O Bahia Post mostram um grupo de WhatsApp criado para organizar uma carreata em Irecê, no centro-norte da Bahia, com uma promessa que aparece já no nome da conversa: “Carreata domingo R$100”.
Em um dos registros analisados pela reportagem, o grupo aparece com 52 participantes. A descrição informa concentração às 14h30, saída prevista para as 15h e termina com uma frase direta sobre o pagamento:
“Terminou é 100 no pix.”
A referência política surge dentro da própria conversa.

Em outro registro encaminhado ao O Bahia Post, um participante pergunta: “É pra qual candidato?”. Depois de questionar se a atividade seria política, recebe de outro integrante uma resposta curta:
“Jerônimo.”
A menção é ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição.

Os registros colocam uma questão objetiva sobre a mobilização: quem estaria oferecendo os R$ 100, de onde sairiam os recursos e qual seria exatamente a contrapartida esperada dos participantes?
Os prints, entretanto, não oferecem essas respostas.
O material recebido pela reportagem não identifica quem criou o grupo, quem coordenava a carreata nem quem teria disponibilizado os recursos mencionados nas mensagens. Também não há comprovante bancário, recibo ou outro documento que demonstre que os R$ 100 efetivamente tenham sido pagos.
O que as mensagens mostram é mais limitado — e precisa ser tratado dessa forma: havia um grupo denominado “Carreata domingo R$100”, sua descrição prometia pagamento via Pix ao término da atividade e, quando um participante perguntou para qual candidato seria a mobilização, outro respondeu “Jerônimo”.
Isso não permite concluir que o governador tenha organizado, autorizado ou financiado a iniciativa.
Também não há, nos registros analisados, elemento que comprove participação direta da campanha de Jerônimo, do Partido dos Trabalhadores ou de integrantes do Governo da Bahia na suposta oferta.
A distinção é importante porque mobilizações políticas podem ser organizadas por apoiadores, lideranças municipais, grupos independentes ou pessoas sem vínculo formal com uma candidatura.
A identificação dos administradores do grupo e da origem dos recursos mencionados é, portanto, fundamental para esclarecer a natureza da mobilização.
Em uma campanha eleitoral, eventual pagamento para participação em atos políticos também pode exigir análise das circunstâncias concretas, da origem dos recursos e da finalidade do gasto. Os prints, isoladamente, não são suficientes para estabelecer a ocorrência de irregularidade eleitoral.
O material, contudo, cria uma questão de interesse público que permanece sem resposta: por que um grupo destinado a uma carreata associada a Jerônimo anunciava R$ 100 via Pix ao término da mobilização?
O Bahia Post segue apurando quem administrava o grupo, quem estaria responsável pelo eventual pagamento, a origem dos recursos e se a carreata efetivamente ocorreu nas condições descritas nas mensagens.
A reportagem também busca esclarecer se os organizadores mantinham algum vínculo formal ou informal com estruturas partidárias, candidaturas ou lideranças políticas da região.
Até o momento, não há elemento que permita atribuir responsabilidade pessoal a Jerônimo Rodrigues pela suposta oferta.
O espaço permanece aberto para manifestação do governador, de sua campanha, do PT e de eventuais organizadores identificados durante a apuração.
