
Mais de seis em cada dez eleitores da Bahia chegarão às urnas nas eleições de 2026 sem ter concluído o ensino médio. São aproximadamente 6,83 milhões de pessoas, dentro de um universo de pouco mais de 11,32 milhões de baianos aptos a votar, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.
O grupo reúne eleitores analfabetos, pessoas que declararam apenas saber ler e escrever, cidadãos com ensino fundamental completo ou incompleto e aqueles que iniciaram, mas não terminaram, o ensino médio.
Somadas, essas faixas representam pouco mais de 60% do eleitorado estadual. O número expõe a dimensão do déficit educacional acumulado na Bahia e ajuda a compreender o ambiente social no qual serão realizadas as disputas para presidente, governador, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.
A Bahia possui 11.321.005 eleitores aptos e é o quarto maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O estado responde por 7,13% de todo o eleitorado nacional.
Entre os eleitores baianos, 603.070 são analfabetos, o equivalente a 5,33% do total. Outros 1.264.742, ou 11,17%, declararam saber ler e escrever, mas não possuem escolaridade formal registrada no Cadastro Eleitoral.
A maior concentração abaixo do ensino médio completo está entre aqueles que não terminaram o ensino fundamental. São 2.477.960 eleitores, correspondentes a 21,89% do total.
Outros 471.215 baianos, ou 4,16%, concluíram o ensino fundamental, mas não avançaram para a etapa seguinte. Já os que começaram o ensino médio e não o concluíram somam 2.016.758 pessoas, representando 17,81% do eleitorado.
A soma dessas cinco faixas chega a 6.833.745 eleitores. Em termos eleitorais, trata-se de um contingente suficientemente grande para decidir qualquer disputa estadual.
O dado também mostra que 4.816.987 eleitores, ou 42,55% do total, sequer chegaram a iniciar o ensino médio. Esse recorte inclui analfabetos, pessoas que apenas leem e escrevem e eleitores com ensino fundamental completo ou incompleto.
No outro extremo, 3.158.414 baianos, ou 27,9% do eleitorado, concluíram o ensino médio. Essa é a maior categoria individual registrada no levantamento.
Os eleitores com ensino superior completo somam 894.561 pessoas, correspondentes a 7,9% do total. Outros 435.113, ou 3,84%, começaram uma graduação, mas ainda não a concluíram.
O levantamento, entretanto, revela uma realidade com consequências diretas para a campanha. Em um estado no qual a maioria do eleitorado não concluiu o ensino médio, candidatos precisam comunicar propostas complexas de maneira compreensível, sem transformar simplificação em desinformação.
Temas como orçamento público, segurança, regulação da saúde, geração de empregos, impostos e infraestrutura frequentemente envolvem dados técnicos. A dificuldade de acesso à educação amplia a responsabilidade de partidos, candidatos, veículos de comunicação e instituições públicas na apresentação dessas informações.
Também aumenta a vulnerabilidade de parte da população a conteúdos manipulados, promessas sem viabilidade, informações retiradas de contexto e materiais produzidos apenas para provocar medo ou indignação.
Isso não significa que pessoas com menor escolaridade sejam necessariamente mais suscetíveis à propaganda enganosa. A desinformação alcança diferentes classes sociais e níveis de formação. O problema é que limitações de leitura e interpretação podem dificultar a consulta a programas de governo, decisões judiciais, relatórios orçamentários e bases públicas.
O eleitorado baiano também possui características que tornam a campanha particularmente desafiadora. O estado tem 417 municípios, grandes distâncias territoriais e comunidades rurais nas quais o acesso à internet, à imprensa profissional e a serviços públicos ainda é desigual.
Nesse cenário, rádio, televisão, encontros presenciais e aplicativos de mensagens tendem a exercer papel decisivo. A campanha que conseguir traduzir seus projetos para a vida cotidiana dos eleitores terá vantagem sobre aquela baseada apenas em discursos técnicos ou debates restritos às redes sociais.
Os números ainda colocam a educação no centro da própria disputa eleitoral. O déficit registrado entre os eleitores adultos não foi construído por uma única gestão, mas representa o resultado de décadas de dificuldades na alfabetização, na permanência dos estudantes nas escolas e na conclusão da educação básica.
A Bahia chega à eleição, portanto, diante de uma contradição: milhões de cidadãos serão chamados a escolher os responsáveis pelas políticas educacionais sem terem recebido do Estado a oportunidade de concluir a própria formação básica.
Salvador concentra o maior eleitorado baiano, com 1.951.716 pessoas aptas a votar. Feira de Santana aparece em seguida, com 434.532; Vitória da Conquista possui 264.091; e Camaçari, 210.364. A biometria alcança 10.706.119 eleitores, correspondentes a 94,57% do cadastro estadual.
No país, mais de 158,7 milhões de pessoas poderão votar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Na Bahia, o tamanho do eleitorado e o baixo nível de escolaridade formal de parte expressiva dos votantes deverão influenciar a linguagem, os canais e as prioridades apresentadas pelas campanhas.
Mais do que um dado eleitoral, os 6,83 milhões de baianos sem ensino médio completo representam uma cobrança sobre sucessivos governos. São pessoas que participam da democracia, sustentam a economia e tomam decisões sobre o futuro do estado, mas que, em grande parte, não tiveram garantido um dos direitos mais básicos prometidos pelo poder público: concluir a educação básica.

