
Integrantes da comunicação política do governador Jerônimo Rodrigues (PT) avaliam a possibilidade de reduzir sua participação — ou até evitar determinados debates eleitorais — em uma provável disputa direta com ACM Neto (União Brasil) pelo Governo da Bahia. A informação foi obtida pelo O Bahia Post com fontes que acompanham as discussões internas do grupo governista.
A preocupação central seria o risco de desgaste em confrontos ao vivo, especialmente diante de temas considerados sensíveis para a atual administração, como segurança pública, regulação da saúde e funcionamento dos serviços estaduais. Até o momento, nenhuma decisão definitiva foi anunciada pelo governador ou por sua equipe.
Segundo os relatos recebidos pela reportagem, parte dos estrategistas considera que a participação em todos os encontros poderia expor Jerônimo a questionamentos difíceis de controlar e produzir declarações com repercussão negativa nas redes sociais.
As fontes também avaliam que o governador já enfrentou dificuldades de comunicação em entrevistas, discursos e confrontos políticos anteriores. Nesse diagnóstico interno, respostas improvisadas ou falas mal formuladas poderiam ser transformadas rapidamente em cortes de vídeo utilizados pela oposição durante a campanha.
Outro elemento considerado nas conversas é a preparação do grupo de ACM Neto. Aliados do governo reconhecem que o ex-prefeito de Salvador tem experiência em campanhas majoritárias e tende a entrar nos debates com uma estrutura voltada à exploração dos pontos mais vulneráveis da gestão estadual.
Essa avaliação, porém, é atribuída às fontes ouvidas pelo O Bahia Post. Não é possível afirmar antecipadamente qual dos candidatos apresentaria melhor desempenho em um confronto eleitoral.
A eventual ausência de Jerônimo também envolve riscos. Integrantes do próprio grupo governista reconhecem que a recusa em participar de debates poderia ser explorada pela oposição como sinal de insegurança, despreparo ou tentativa de evitar cobranças públicas.
Em uma disputa pelo governo estadual, os debates costumam ser usados para confrontar dados, apresentar propostas e questionar decisões administrativas. A ausência do ocupante do cargo poderia deixar ACM Neto com maior espaço para criticar o governo sem uma resposta direta do adversário no mesmo ambiente.
Entre os assuntos que mais preocupam aliados estão as filas da regulação, os relatos de pacientes que aguardam transferências e cirurgias, os índices de violência e a expansão de facções criminosas em diferentes regiões da Bahia.
Esses temas têm forte impacto cotidiano e poderão ocupar parte significativa dos debates. A estratégia da oposição deverá relacionar os problemas ao período de continuidade do PT no comando do estado, enquanto Jerônimo tende a destacar investimentos, entregas e ações realizadas pelo governo.
A discussão interna não significa que o governador tenha decidido faltar a todos os debates. Uma possibilidade analisada seria selecionar os encontros considerados mais relevantes, recusando convites de menor alcance e concentrando a preparação em poucas ocasiões.
Outra alternativa seria ampliar a participação de Jerônimo em entrevistas previamente organizadas, eventos próprios e conteúdos digitais, ambientes nos quais a comunicação possui maior controle sobre tempo, temas e formato.
A estratégia discutida na Bahia guarda semelhança com avaliações atribuídas nacionalmente ao entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também considera os custos e benefícios de participar de confrontos eleitorais. No caso de Jerônimo, porém, as conversas estão diretamente ligadas à avaliação de sua comunicação e ao provável enfrentamento com ACM Neto.
Debates não são obrigatórios para todos os candidatos, e as regras de participação dependem das emissoras e da legislação eleitoral. Politicamente, entretanto, a decisão de comparecer ou não pode influenciar a percepção do eleitorado.
A apuração do O Bahia Post mostra que o assunto já está presente nas discussões estratégicas do grupo governista, mas ainda não existe uma orientação pública consolidada.
