
O início do desfile cívico do 2 de Julho, nesta quinta-feira (2), em Salvador, foi marcado por vaias e protestos contra as principais lideranças do PT na Bahia. O governador Jerônimo Rodrigues, o senador Jaques Wagner e o ex-governador Rui Costa foram hostilizados por parte do público durante a chegada à Lapinha, ponto tradicional de abertura do cortejo que celebra a Independência do Brasil na Bahia.
A data tem forte peso histórico e político no estado. Além do caráter cívico, o 2 de Julho costuma funcionar como uma espécie de termômetro público para lideranças baianas, especialmente em anos pré-eleitorais. A programação oficial envolve o cortejo entre a Lapinha e o Centro Histórico, reunindo autoridades, grupos culturais, movimentos sociais e populares.
Durante a chegada dos petistas, manifestantes vaiaram o grupo e exibiram cartazes contra Wagner. Um dos registros mostrava a expressão “Jaques Master”, em referência à Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão em junho, em uma fase da investigação que apura suspeitas de relação ilícita entre executivos do Banco Master e o senador baiano. O parlamentar nega irregularidades e não foi formalmente acusado até o momento.
A presença de Jerônimo, Rui e Wagner no desfile ocorre em um momento de maior pressão sobre o grupo petista baiano. Wagner, que governou a Bahia por dois mandatos e é uma das principais lideranças do PT no estado, passou a enfrentar desgaste político após ser incluído na investigação. Rui Costa, ex-governador e atual nome forte do governo Lula, também é peça central na articulação petista para 2026. Já Jerônimo deve disputar a reeleição ao Palácio de Ondina.
As vaias ampliam o simbolismo político do 2 de Julho deste ano. A festa, historicamente disputada por grupos governistas e oposicionistas, expôs um ambiente de tensão em torno do governo estadual e da possível chapa petista para a eleição de 2026.
Além do caso Banco Master, opositores têm usado indicadores de segurança pública, educação e saúde para pressionar o governo da Bahia, comandado pelo PT desde 2007. A crítica aparece em meio a cobranças sobre violência, fila da regulação e desempenho educacional, temas que vêm ocupando espaço crescente no debate político estadual.
O episódio na Lapinha também reforça a tentativa da oposição de transformar o desgaste de Wagner em um problema coletivo para o PT baiano. A estratégia busca associar o senador, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues a um mesmo ciclo político, iniciado em 2007, quando Wagner assumiu o governo estadual.
Apesar dos protestos, as lideranças petistas seguiram no ato cívico. O desfile do 2 de Julho mantém forte presença de militantes, autoridades e grupos populares, mas a recepção com vaias mostrou que a celebração também deve ser usada como palco de disputa política no ano que antecede a eleição estadual.
