
O prefeito de Macaúbas, Aloisio Rebonato (MDB), criticou nesta sexta-feira (22) a presença do grupo do PT na Bacia do Paramirim para mais uma edição do Programa de Governo Participativo (PGP). Segundo ele, a população da região está “cansada de promessas que nunca saem do papel” após quase duas décadas de gestões petistas no governo da Bahia.
A fala mira diretamente um ponto sensível da política no interior baiano: a distância entre anúncios feitos em períodos de mobilização política e a entrega efetiva de obras estruturantes. Para Rebonato, Macaúbas e os municípios vizinhos seguem acumulando demandas antigas em áreas como saúde, mobilidade, educação superior, segurança técnica e desenvolvimento regional.
“O PT volta agora à região para fazer novas promessas, mas o povo de Macaúbas e da Bacia do Paramirim já conhece esse filme. Há anos anunciam obras, criam expectativas e depois abandonam os projetos sem dar satisfação à população”, afirmou o prefeito.
Uma das principais cobranças citadas por Rebonato é a conclusão da BA-573, rodovia que liga a sede de Macaúbas ao distrito de Lagoa Clara. A estrada é tratada por lideranças locais como estratégica para o deslocamento de moradores e para o escoamento da produção agrícola e pecuária.
“A obra da BA-573 virou símbolo do descaso do governo estadual com a região. É uma rodovia fundamental para a economia local, mas segue inacabada enquanto produtores e moradores convivem diariamente com dificuldades de deslocamento”, disse.
O prefeito também cobrou a implantação de um Hospital Regional da Bacia do Paramirim. Segundo ele, a ausência de uma estrutura hospitalar regionalizada obriga moradores a percorrer longas distâncias em busca de atendimento médico, cenário que aumenta a pressão sobre famílias e municípios menores.
“A população cobra há anos um hospital regional capaz de atender toda a Bacia do Paramirim, mas até hoje o governo não saiu do discurso. Enquanto isso, as pessoas continuam viajando longas distâncias em busca de atendimento médico”, declarou.
Além do hospital, Rebonato citou outras reivindicações que, segundo ele, aparecem de forma recorrente em agendas políticas, mas não avançam. Entre elas estão uma clínica de hemodiálise, um banco de sangue, uma unidade do Departamento de Polícia Técnica (DPT), um campus da Uneb e a regionalização do hospital municipal com leitos de UTI.
“São reivindicações históricas que aparecem em toda eleição e em todo evento político do governo, mas que nunca avançam de verdade. O PT governa a Bahia há quase 20 anos e continua tratando obras básicas como promessa de campanha”, afirmou.
O gestor também mencionou projetos anunciados em administrações anteriores do PT, como o laticínio regional e a Casa da Cachaça de Canatiba. Para ele, a demora na conclusão desses equipamentos reforça a percepção de abandono da região pelo governo estadual.
“Tem projeto iniciado desde o governo Jaques Wagner que até hoje não foi concluído. Isso mostra a incapacidade do governo de tirar do papel aquilo que promete”, disse.
A crítica ocorre em meio à movimentação política do PT no interior da Bahia, em um momento em que lideranças governistas buscam reforçar presença territorial e diálogo com bases regionais. Na avaliação de Rebonato, porém, a Bacia do Paramirim não quer apenas novas rodadas de escuta ou anúncios públicos, mas a conclusão de obras já prometidas.
“O povo da Bacia do Paramirim quer obra concluída, quer hospital funcionando, quer estrada pronta e quer respeito. Não aguenta mais viver de anúncio, propaganda e promessa repetida a cada eleição”, concluiu o prefeito.