
A Prefeitura de Camaçari passou a ser alvo de críticas após a morte de Ewerton Vieira, jovem que passou mal durante uma corrida noturna realizada neste sábado (16), na cidade da Região Metropolitana de Salvador. Nas redes sociais, participantes e moradores relataram suposta demora no socorro, dificuldade de acesso da ambulância e falhas de organização no percurso.
Ewerton morreu após sofrer um mal súbito durante a prova. Ele chegou a receber atendimento no local, mas não resistiu. A causa oficial da morte ainda depende de avaliação médica.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque o evento era a 2ª Corrida da Classe Trabalhadora de Camaçari, promovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude (Sejuv). A prova tinha percurso de 5 km, concentração prevista para as 18h, na Avenida Jorge Amado, em frente à Unifamec, e expectativa de reunir cerca de 2 mil participantes.



Relatos Cobram Demora no Atendimento
Após a morte do jovem, comentários publicados nas redes passaram a cobrar explicações sobre a estrutura de socorro. Um dos relatos afirma que houve demora no atendimento pelo telefone 192 e que a ambulância teria enfrentado dificuldade para chegar ao ponto onde Ewerton estava.
“Demoraram pra atender no 192, a mulher que me atendeu me tratou como se o que eu estava falando era brincadeira. A ambulância da prefeitura numa paz terrível pra chegar até onde ele estava e o Samu demorou mesmo”, diz um dos relatos enviados ao O Bahia Post.
Outro comentário apontou suposta falta de empatia de agentes da STT no momento em que pessoas pediam ajuda. “Agentes da STT totalmente sem empatia, ainda se alterou pra moça que estava implorando por ajuda”, afirmou uma pessoa.
Também houve queixas sobre o deslocamento da ambulância. Uma internauta disse que o veículo teria esperado a passagem dos últimos corredores antes de seguir até o local da ocorrência. “A ambulância esperou os últimos corredores passar pra poder ir até o local, e ainda foi devagar acompanhando os últimos corredores, ao invés de pedir passagem e ligar o giroflex”, escreveu.
Moradores Apontam Desorganização no Percurso
Além das críticas ao socorro, moradores e participantes relataram problemas na organização da prova. Uma pessoa que afirmou morar em um condomínio em frente ao local da corrida disse que havia veículos e pedestres circulando muito próximos, além de ausência de rota adequada para passagem de ambulâncias em caso de emergência.
Outro relato afirmou que a corrida estava “super desorganizada”, com carros e motos no percurso. A mesma pessoa também mencionou que a água entregue aos participantes estaria quente.
As críticas ainda não foram confirmadas oficialmente por autoridades ou pela organização do evento. Os relatos, no entanto, ampliaram a pressão pública por esclarecimentos sobre o plano de atendimento emergencial, a rota de acesso para ambulâncias, a atuação das equipes de apoio e a organização do trânsito durante a prova.
Evento Tinha Três Pontos de Hidratação
Antes da realização da corrida, informações divulgadas sobre o evento indicavam que o percurso teria três pontos de hidratação. A prova passaria por trechos como Assaí Atacadista, Reserva Camassarys e Avenida das Palmeiras, com retorno à Avenida Jorge Amado.
A corrida também previa categorias masculina e feminina, faixas etárias, participação de pessoas com deficiência e entrega de medalhas aos atletas que concluíssem o percurso. A inscrição foi feita pela plataforma Sympla, com exigência de doação de 2 kg de alimento não perecível.
O Que Ainda Precisa Ser Esclarecido
Ainda falta esclarecer qual foi o tempo de resposta das equipes de socorro, se havia ambulância posicionada em local estratégico, se o Samu foi acionado imediatamente, se houve bloqueio adequado do percurso e qual estrutura médica estava disponível para uma prova com grande número de participantes.
Também não há, até o momento, confirmação oficial sobre o ponto exato em que Ewerton passou mal, o tempo entre o chamado e o primeiro atendimento, nem se houve dificuldade operacional para a chegada da ambulância.
O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Camaçari, da Sejuv, do Samu, da STT e da organização da corrida.
Comoção em Camaçari
A morte de Ewerton provocou forte comoção na cidade. Mensagens de luto circularam nas redes sociais ao longo da noite, com homenagens ao jovem e solidariedade a familiares e amigos.
A tragédia também transformou o que seria uma noite de esporte e integração em um debate urgente sobre segurança, planejamento e estrutura de emergência em eventos públicos. Agora, além da apuração médica sobre a causa da morte, a cobrança é por respostas sobre a organização da corrida e as condições de atendimento oferecidas aos participantes.
