
O ator Gerson Brenner morreu nesta segunda-feira (23), aos 66 anos, em São Paulo. A morte foi confirmada pela esposa, Marta Brenner, e também por familiares ouvidos pela imprensa. Segundo os relatos publicados nesta noite, o ator estava internado no Hospital São Luiz, no Itaim, e morreu em decorrência de falência múltipla dos órgãos.
A notícia tem peso porque encerra a trajetória de um rosto marcante da teledramaturgia brasileira dos anos 1990, mas também reabre a memória de uma das interrupções de carreira mais brutais da TV. Brenner virou símbolo de uma geração de galãs de novela e, ao mesmo tempo, de uma história atravessada por violência, sequelas permanentes e um longo afastamento dos holofotes.
Nascido em São Paulo, Gerson dos Santos Oliveira, nome de batismo do ator, começou a carreira artística depois de trabalhar como modelo. Antes de ganhar projeção nacional, estudou Economia e Comunicação Social sem concluir os cursos, morou fora do Brasil e chegou a desfilar para o estilista Jean Paul Gaultier. Na televisão, passou pela Manchete e depois consolidou espaço na Globo.
Seu nome ficou associado a novelas que marcaram época. Entre os trabalhos mais lembrados estão Top Model, Rainha da Sucata, Lua Cheia de Amor, Perigosas Peruas, Deus nos Acuda, Vira Lata e Corpo Dourado. Na avaliação de veículos que repercutiram sua morte nesta segunda, foi justamente nesse ciclo de produções que Brenner construiu sua imagem de galã popular da TV aberta.
O papel de Jorginho, em Corpo Dourado, acabou se tornando o mais lembrado de sua carreira. Foi também em torno dessa novela que sua vida mudou de forma dramática. Em agosto de 1998, quando seguia de São Paulo para o Rio de Janeiro para gravar o último capítulo da trama, o ator foi baleado na cabeça durante uma tentativa de assalto na estrada.
Segundo os relatos publicados pelo gshow e pela CNN Brasil, criminosos espalharam pedras na pista, furaram os pneus do carro e abordaram o ator quando ele tentava resolver o problema. Brenner sobreviveu, mas sofreu lesão cerebral grave e passou a conviver com sequelas motoras, de fala e cognitivas, o que interrompeu sua carreira artística no auge da exposição nacional.
Nos últimos anos, a história de Gerson Brenner voltou a circular com mais força por causa de reprises de novelas e de depoimentos da família. Em texto publicado após a morte do ator, o gshow recuperou uma fala da esposa, Marta Mendonça, dada em 2023, quando ela resumiu o impacto do episódio: “Gerson estava no auge da carreira dele. E tudo isso foi cortado.”
A morte de Brenner mobilizou imediatamente a memória afetiva do público e de colegas de profissão. Mais do que a lembrança de um ator de sucesso, fica a imagem de uma trajetória interrompida de forma abrupta e de um nome que permaneceu ligado a novelas centrais da televisão brasileira.
