
A declaração pré-preenchida do Imposto de Renda 2026 já está disponível, e a Receita Federal abriu o prazo de entrega em 23 de março. O contribuinte tem até 29 de maio para enviar o documento. A expectativa do governo é receber 44 milhões de declarações neste ano.
O tema importa porque a pré-preenchida virou a principal aposta da Receita para reduzir erros de digitação, acelerar o preenchimento e diminuir retenções desnecessárias em malha fina. Ao mesmo tempo, continua valendo a lógica que mais pesa no bolso do contribuinte: revisar os dados importados e usar corretamente as deduções permitidas por lei pode fazer diferença direta no imposto a pagar ou na restituição a receber.
A Receita também deixou um recado importante para quem esperava efeito imediato da nova faixa de isenção prometida para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Isso não vale para a declaração de 2026, que considera os rendimentos de 2025. Segundo o órgão, essa mudança só terá impacto na declaração de 2027, referente ao que for recebido ao longo de 2026.
Como fazer a declaração pré-preenchida
Pelos canais oficiais, o contribuinte pode usar a modalidade pré-preenchida no computador, no celular ou pela versão online. No preenchimento online, o caminho informado pela Receita é: entrar com a conta Gov.br, escolher o ano da declaração, clicar em “Preencher declaração” e selecionar a opção “Pré-Preenchida”. No aplicativo, a lógica é semelhante. Já no programa de computador, é preciso baixar e instalar o sistema, entrar com Gov.br, acessar a aba “Nova” e iniciar a declaração a partir da pré-preenchida.
O acesso a essa modalidade exige conta Gov.br de nível prata ou ouro. Segundo o governo federal, a conta prata pode ser obtida, por exemplo, com validação bancária em instituição credenciada ou reconhecimento facial com CNH. A conta ouro pode ser ativada por QR Code da nova Carteira de Identidade Nacional, reconhecimento facial com base da Justiça Eleitoral ou certificado digital compatível com a ICP-Brasil.
O que já vem preenchido — e onde mora o risco
A declaração pré-preenchida importa automaticamente uma série de dados, como rendimentos, deduções, bens, direitos, dívidas e ônus reais. Essas informações são alimentadas por bases da própria Receita e por dados enviados por terceiros, entre eles empregadores, imobiliárias, cartórios, prestadores de serviços de saúde e instituições financeiras. É justamente por isso que a Receita insiste: a pré-preenchida facilita, mas não dispensa conferência.
Neste ano, a Receita adicionou mais informações à modalidade, incluindo dados de renda variável e empregados domésticos, além de simplificações relacionadas a dependentes. O sistema também passou a emitir alertas para erros comuns, como despesas médicas muito altas ou pagamentos a dependentes sem a correspondente declaração de rendimentos.
O que pode ajudar a pagar menos imposto
Na prática, algumas deduções continuam sendo decisivas. As despesas médicas seguem entre as mais relevantes, porque não têm limite de dedução, mas também estão entre as mais fiscalizadas pela Receita. Entram nessa conta, segundo o InfoMoney, consultas, exames, internações, planos de saúde e tratamentos com profissionais habilitados.
Gastos com educação também podem reduzir o imposto, mas com uma limitação importante: a dedução vale para ensino formal, como escola, faculdade e pós-graduação reconhecida. Ficam fora cursos de idiomas e treinamentos livres, um dos erros recorrentes apontados por especialistas ouvidos pelo InfoMoney.
Outro ponto relevante está na previdência. A contribuição oficial ao INSS é dedutível, e o PGBL pode ser abatido em até 12% da renda tributável, desde que o contribuinte se enquadre nas regras desse modelo. Para especialistas citados pelo InfoMoney, essa é uma das raras ferramentas que juntam planejamento tributário e organização financeira.
Dependentes também exigem cuidado. Embora a inclusão gere abatimento, ela pode aumentar o imposto devido se a renda do dependente também tiver de entrar no cálculo. O mesmo vale para a escolha entre os modelos simplificado e completo: no simplificado, o desconto é padrão de 20%; no completo, entram as deduções detalhadas. A recomendação dos especialistas é não repetir automaticamente a opção do ano passado sem simular o resultado.
Quem precisa declarar
Entre os obrigados a entregar a declaração neste ano estão os contribuintes que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025, tiveram outros rendimentos acima de R$ 200 mil, venderam mais de R$ 40 mil em bolsa ou obtiveram ganhos tributáveis, tiveram renda rural acima de R$ 177.920, possuíam bens acima de R$ 800 mil, passaram à condição de residente no Brasil ou tiveram certas operações e rendimentos no exterior.
O que vem agora
A Receita quer que mais de 60% das declarações deste ano sejam feitas pela modalidade pré-preenchida. O órgão também concentrou o calendário de restituições em quatro lotes, com pagamentos em 29 de maio, 30 de junho, 31 de julho e 31 de agosto. Para o contribuinte, o recado é menos tecnológico do que prático: usar a pré-preenchida ajuda, mas o ganho real continua dependendo de revisão cuidadosa, comprovantes organizados e escolha correta entre os modelos de declaração.