
A disputa entre o Itaú e o Metrópoles ganhou um novo capítulo após o banco criar um site chamado “Factópoles” e enviar uma notificação extrajudicial ao portal para contestar reportagens sobre cobranças indevidas feitas a clientes ao longo de anos. O caso envolve descontos em contas-correntes e cartões de crédito que, segundo o Metrópoles, teriam atingido milhões de consumidores.
A reação do banco ocorreu depois de uma sequência de publicações do portal sobre o que o próprio Metrópoles passou a chamar de “Farra do Itaú”. As reportagens tratam de descontos relacionados a seguros e outros serviços que, conforme o veículo, não teriam sido contratados pelos clientes ou não foram devidamente comprovados pela instituição financeira.
O Itaú passou a questionar o conteúdo das matérias e criou uma página para rebater pontos da cobertura. O Metrópoles respondeu em tom duro e afirmou que o site lançado pelo banco deveria se chamar “Falsópoles”, alegando que as publicações da página conteriam “inverdades, meias-verdades e sofismas”.
No centro da disputa está um acordo firmado pelo Itaú com o Ministério Público para ressarcir consumidores. O banco sustenta que não confessou culpa nem reconheceu irregularidade ao assinar o compromisso. O Metrópoles, por outro lado, argumenta que a obrigação de devolver valores indica o reconhecimento da existência dos descontos indevidos e da responsabilidade pela prática.
A controvérsia também envolve o alcance do possível prejuízo. O Metrópoles publicou projeções segundo as quais os descontos, realizados ao longo de 14 anos, poderiam ter gerado entre R$ 16 bilhões e R$ 33 bilhões para a instituição financeira. O Itaú contesta a estimativa. O portal afirma que substituirá as projeções por números exatos caso o banco permita uma auditoria independente nas contas e faturas dos clientes atingidos.
O Itaú também questionou expressões usadas nas reportagens, como “ludibriar clientes”, “artimanhas” e “esconder cobranças”. O Metrópoles rebateu dizendo que os termos refletem a gravidade do que considera uma prática irregular de descontos em contas de consumidores.
Outro ponto sensível é a quantidade de reclamações formais. O banco citou 31.024 registros em órgãos de defesa do consumidor. Para o Metrópoles, o número pode ser apenas uma parte pequena do universo de clientes atingidos, já que descontos de baixo valor, feitos de forma recorrente, podem passar despercebidos por muitos consumidores.
A briga expõe uma tensão maior entre grandes empresas e veículos de imprensa em reportagens de interesse público. De um lado, o banco tenta contestar a narrativa e proteger sua reputação. De outro, o Metrópoles afirma estar cumprindo seu papel jornalístico ao informar consumidores e autoridades sobre uma prática que considera lesiva.
Até agora, o caso segue aberto no campo público, jurídico e reputacional. O Itaú tenta reduzir o impacto das reportagens com sua própria versão dos fatos. O Metrópoles, por sua vez, afirma que não se intimidará com pressões e que seguirá publicando informações sobre o episódio.
