

O vice-governador Geraldo Júnior deve continuar como companheiro de chapa de Jerônimo Rodrigues na disputa pela reeleição ao Palácio de Ondina em 2026. A informação foi obtida com exclusividade pelo O Bahia Post após consultas a fontes próximas das articulações do grupo governista, num momento em que a composição majoritária voltou a ser alvo de forte especulação nos bastidores.
O dado tem peso político porque encerra, ao menos por agora, uma das principais dúvidas da base aliada: se Jerônimo manteria a chapa que venceu em 2022 ou abriria espaço para um novo arranjo partidário. A definição interessa diretamente ao MDB, mexe no equilíbrio interno com outras siglas aliadas e ajuda a medir o grau de influência de Brasília sobre o xadrez baiano.
Nos últimos dias, o nome da deputada Ivana Bastos passou a circular com força crescente como alternativa para a vice. A especulação ganhou tração em veículos da cobertura política baiana, embora a própria parlamentar tenha negado convite formal e tratado o movimento como conversa de bastidor.
Segundo a apuração do O Bahia Post, porém, o cenário mudou. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que a permanência de Geraldo Júnior avançou nas últimas tratativas e que, neste momento, a tendência dominante dentro do grupo de Jerônimo é manter o atual vice no posto. A leitura entre interlocutores próximos é de que o assunto foi praticamente resolvido, apesar de a oficialização política ainda depender do timing do grupo.
Um sinal público dessa virada apareceu nesta quarta-feira (1º). Em meio às movimentações políticas do dia, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, uma das vozes centrais do MDB baiano, afirmou ter saído de reunião com Jerônimo com a “convicção plena” de que Geraldo Júnior será o indicado para a vice, ainda que pudesse haver pressão até a última hora. A declaração reforçou, no plano público, o que já circulava reservadamente entre aliados.
Também nesta quarta, durante o evento de filiação da ex-prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho ao MDB, Geraldo foi questionado pelo blogueiro e cientista político Ladislau Leal sobre a possibilidade de seguir na vice. Em resposta, adotou um tom cifrado, mas revelador: “Eu sou daquele tempo que não cai um fruto de uma árvore sem o consentimento de Deus.” A frase foi lida por presentes como um gesto de quem evita anunciar antes da hora, mas já fala de dentro de um cenário favorável, segundo relato obtido pelo O Bahia Post.
A movimentação em torno de Moema também ajuda a entender o ambiente político do dia. A ex-prefeita anunciou sua saída do PT após 46 anos e foi dada como nome em direção ao MDB, ampliando o peso da legenda nas articulações do campo governista.
Outro fator que aumenta a expectativa é a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Bahia. Há agenda oficial confirmada para esta quinta-feira (2), quando Lula e Jerônimo participarão, em Salvador, de atos ligados ao metrô, ao VLT e à habitação. Publicamente, trata-se de uma agenda administrativa. Nos bastidores, porém, aliados avaliam que a passagem do presidente pelo estado ajuda a pacificar o desenho da chapa e pode funcionar como selo político para a manutenção de Geraldo Júnior na vice.
Hoje, Geraldo Júnior segue como vice-governador e mantém presença institucional destacada no governo baiano. Em fevereiro, por exemplo, Jerônimo apareceu ao seu lado ao apresentar o balanço oficial do Carnaval 2026, reforçando a visibilidade do emedebista dentro da administração estadual.
O que emerge desse quadro é menos uma surpresa e mais uma consolidação. Depois de semanas de rumores, nomes alternativos e ruído entre aliados, a chapa de Jerônimo Rodrigues caminha, segundo apuração do O Bahia Post, para repetir a fórmula de 2022. Falta o anúncio político no tempo do grupo. Mas, no núcleo das conversas, a avaliação já é clara: Geraldo Júnior deve continuar como vice.