
O Ministério Público da Bahia abriu investigação contra o ex-deputado federal Geddel Vieira Lima por suspeita de ter sido destinatário de R$ 1 milhão em propina dentro da trama que levou à fuga do traficante Ednaldo Pereira de Souza, o “Dadá”, e de outros 15 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, em dezembro de 2024.
A apuração se apoia em delação da ex-diretora da unidade, Joneuma Silva Neres, e em diálogos recuperados na Operação Duas Rosas.
O caso ganhou peso porque “Dadá” é apontado nas investigações como liderança do Primeiro Comando de Eunápolis, facção ligada ao Comando Vermelho no sul da Bahia. A fuga em massa já era um escândalo de segurança pública; agora, ao alcançar um nome de forte peso político no MDB baiano, o episódio sobe de patamar e passa a pressionar também o ambiente institucional.
Segundo a delação, o ex-deputado Uldurico Júnior teria negociado R$ 2 milhões para viabilizar a evasão de dois líderes criminosos e dito que metade desse valor seria destinada a Geddel. Mensagens analisadas pelos investigadores também trazem referências ao termo “chefe”, atribuído a ele nas conversas entre Uldurico e Joneuma. Uldurico foi preso preventivamente na operação deflagrada em abril.
Geddel nega envolvimento. Ao reagir às acusações, afirmou que teve o nome usado de forma indevida para dar aparência de proteção política ao esquema e sustentou que não recebeu dinheiro nem participou da negociação. A investigação agora tenta separar delação, conversa interceptada e fluxo real de pagamentos para definir se a suspeita se sustenta ou não.

