
O governo Jerônimo Rodrigues (PT) já gastou R$ 78,6 milhões com transporte aéreo desde o início da gestão, segundo levantamento publicado pelo Correio com base em dados do Portal da Transparência da Bahia. A despesa é registrada no âmbito da Casa Militar do Estado e pode superar R$ 90 milhões até o fim do mandato, caso mantenha o ritmo observado nos anos anteriores.
O dado tem peso político porque envolve uma despesa sensível em ano eleitoral e ocorre em meio a questionamentos sobre o uso de aeronaves em agendas oficiais pelo interior do estado. A comparação também chama atenção: o valor já supera, com folga, os R$ 47,6 milhões gastos com transporte aéreo durante todo o segundo mandato do ex-governador Rui Costa, entre 2019 e 2022.
De acordo com o levantamento, a gestão Jerônimo gastou R$ 22 milhões com transporte aéreo em 2023. No ano seguinte, a despesa subiu para R$ 25,7 milhões, maior valor da série. Em 2025, os gastos ficaram em R$ 22,6 milhões. Já em 2026, ainda com o ano em andamento, a conta soma R$ 8,2 milhões.
Projeção Pode Passar de R$ 90 Milhões
Se o ritmo dos anos anteriores for mantido, 2026 pode fechar próximo da faixa de R$ 22 milhões em gastos com transporte aéreo. Nesse cenário, a despesa total da atual gestão ultrapassaria R$ 90 milhões até o encerramento do mandato.
A projeção ainda não representa gasto confirmado, já que depende da execução orçamentária ao longo do ano. Mesmo assim, o acumulado já coloca a gestão Jerônimo acima do patamar registrado no governo anterior.
Segundo o Correio, Jerônimo ultrapassou o total gasto no segundo mandato de Rui Costa ainda em 2024, no segundo ano de governo.
Transporte Aéreo Vira Tema de Pressão Política
Os gastos com deslocamento aéreo ganharam maior visibilidade após a circulação de vídeos e questionamentos sobre o uso de aeronaves em agendas oficiais no interior da Bahia. Em um estado com 417 municípios e grandes distâncias entre regiões, o transporte aéreo é frequentemente usado por governos para compromissos administrativos. A discussão, porém, recai sobre volume de gastos, critérios de contratação e transparência.
A despesa também entra no debate público em um momento de pré-campanha, quando agendas no interior tendem a se intensificar. A oposição deve explorar o tema como parte da cobrança por controle de custos e explicações sobre a estrutura usada pelo governador em viagens oficiais.
Comparação com Rui Costa
O segundo mandato de Rui Costa registrou cerca de R$ 47,6 milhões em gastos com transporte aéreo, de acordo com o levantamento citado pelo Correio. Na gestão Jerônimo, o acumulado já chegou a R$ 78,6 milhões antes do encerramento do quarto ano de mandato.
A diferença reforça a pressão por detalhamento das despesas. Entre os pontos que podem ser cobrados estão a relação de empresas contratadas, rotas realizadas, finalidades dos deslocamentos, valores por voo e eventuais justificativas administrativas para o crescimento da conta.