
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), teria usado em viagens pelo interior do estado uma aeronave ligada à família do empresário Nestor Hermes, citado em investigações sobre suspeita de grilagem de terras no Oeste baiano. A informação foi publicada pelo Brado Jornal nesta segunda-feira (18).
Segundo a reportagem, a aeronave é um Beechcraft King Air C90, de prefixo PR-JMO, registrada em nome da DH Agropecuária Ltda.. A empresa é vinculada à família de Hermes, empresário apontado em apurações envolvendo disputas fundiárias na região de Cocos, município localizado na divisa da Bahia com Goiás e Minas Gerais.
O caso tem impacto político porque envolve o uso de transporte aéreo em agendas públicas e a relação indireta entre autoridades e empresários citados em investigações sensíveis. A discussão central passa pela transparência: quem contratou a aeronave, em quais condições, com qual custo e por qual empresa ou órgão foi autorizado o deslocamento.
Aeronave Teria Sido Usada em Agendas no Interior
De acordo com o Brado, vídeos recentes mostraram Jerônimo desembarcando ou pousando com a aeronave em municípios baianos. A reportagem afirma que o avião, fabricado em 1980, modelo C90 e série LJ911, aparece no Registro Aeronáutico Brasileiro como pertencente à DH Agropecuária Ltda., com a empresa também figurando como operadora ao lado da Heringer Táxi Aéreo Ltda.
Ainda segundo o veículo, a aeronave tem capacidade para até sete assentos e autorização para operação IFR noturna, modalidade que permite voo por instrumentos em condições específicas. O Brado informou que o Palácio de Ondina não se manifestou sobre o uso específico da PR-JMO.
Quem é Nestor Hermes
Nestor Hermes é um empresário do setor agropecuário com atuação no Oeste da Bahia. Ele é citado em investigações e disputas envolvendo terras na região de Cocos. Em setembro de 2025, o Bahia Notícias publicou que o Tribunal de Justiça da Bahia investigava indícios de grilagem de terras, fraude processual e uso de documentos falsos no município. A apuração da Corregedoria das Comarcas do Interior resultou no bloqueio preventivo de três matrículas rurais.
Naquele caso, o nome de Hermes apareceu em um pedido de retificação de área de imóvel rural. Segundo a reportagem do Bahia Notícias, a apuração apontou suspeitas relacionadas a registros, CPFs em multiplicidade e certificações no sistema do Incra. A defesa do empresário, conforme a mesma matéria, argumentou que não havia sobreposição de áreas e pediu o desbloqueio das matrículas.
O BNews também noticiou o caso e registrou que a investigação tratava de suspeitas de fraude e grilagem em Cocos, envolvendo inconsistências em registros de imóveis e manobras no sistema de georreferenciamento.
Ligação Já Havia Aparecido em Outra Viagem
A ligação entre aeronaves da família Hermes e figuras do PT já havia sido tema de reportagem anterior. Em abril, o Bahia Notícias repercutiu informação publicada pelo UOL de que Rui Costa, Jaques Wagner e Sidônio Palmeira usaram um jatinho pertencente a uma empresa controlada por filhos de Nestor Hermes em deslocamento para Salvador.
Na ocasião, a aeronave era de propriedade da DH Agropecuária Ltda., controlada por Ana Paula Dupuy Hermes e Diego Dupuy Hermes, filhos do empresário. Segundo a repercussão, os políticos viajavam acompanhados de auxiliares, e o voo foi registrado em movimentação aérea da concessionária Inframérica.
Transparência Vira Ponto Central
O uso de aeronaves particulares por autoridades públicas costuma gerar questionamentos porque envolve despesas, eventuais contratos, segurança institucional e possíveis conflitos de interesse. No caso atual, a cobrança recai sobre a origem da contratação e sobre a justificativa para o uso da aeronave em agendas do governador.
O Portal da Transparência da Bahia informa que reúne dados públicos sobre arrecadação, despesas, prestação de contas e políticas públicas do governo estadual, com objetivo de permitir controle social sobre os atos de gestão.
Por isso, a principal pergunta agora é se os registros oficiais detalham a contratação, o pagamento, a empresa operadora, a finalidade dos voos e a agenda vinculada ao deslocamento.
O Que Ainda Falta Esclarecer
Ainda falta esclarecer se a aeronave foi contratada diretamente pelo governo, por empresa terceirizada, por operador de táxi aéreo ou se houve outro arranjo para o transporte. Também não foram detalhados valores, datas de cada voo, rotas realizadas e justificativas administrativas.
A DH Agropecuária nega irregularidades e afirma atuar legalmente no agronegócio, segundo o Brado. Nestor Hermes também nega as acusações relacionadas aos casos fundiários, conforme reportagens anteriores sobre as investigações.
O espaço permanece aberto para manifestação do Governo da Bahia, da DH Agropecuária, da Heringer Táxi Aéreo e dos demais citados.