
O lançamento da pré-candidatura de Moema Gramacho (MDB) à Câmara dos Deputados, realizado na última sexta-feira (29), em Lauro de Freitas, terminou com um sinal de alerta nos bastidores políticos da cidade. A ex-prefeita escolheu seu principal reduto eleitoral para iniciar a caminhada rumo a 2026, mas o ato ficou abaixo da expectativa de mobilização criada em torno do nome dela.
A leitura entre lideranças locais é que o evento expôs o desgaste acumulado por Moema após o fim de sua última gestão em Lauro de Freitas. A ex-prefeita governou o município por quatro mandatos, mas deixou a prefeitura em meio a forte rejeição política, sem conseguir eleger seu sucessor em 2024. Naquele ano, Débora Regis (União Brasil) venceu a disputa municipal com votação recorde, resultado interpretado por adversários como um recado direto do eleitorado contra o ciclo comandado por Moema.
O ato de sexta-feira tinha valor simbólico. Mais do que apresentar uma pré-candidatura, era uma tentativa de mostrar força em Lauro de Freitas, reorganizar a base e sinalizar que a ex-prefeita ainda mantém capacidade de mobilização popular. O efeito, porém, foi o oposto do esperado por parte do meio político local.
Segundo avaliação de interlocutores que acompanharam o evento, a presença de público ficou aquém do que se esperava para uma liderança que comandou a cidade por tantos anos. Nos bastidores, a frase que circulou foi a de que havia mais movimentação de políticos e grupos organizados do que presença espontânea da população de Lauro de Freitas.
Outro ponto comentado foi a composição do público. A avaliação de lideranças locais é que parte expressiva da mobilização não teria sido formada por apoiadores diretos de Moema em Lauro, mas por pessoas ligadas a outros grupos do MDB, especialmente ao entorno de Matheus Ferreira e de lideranças associadas ao campo de Geraldo Júnior. Esse detalhe reforçou a percepção de que a ex-prefeita precisou dividir o peso da organização do ato para evitar um esvaziamento ainda maior.
O deputado estadual Matheus Ferreira (MDB), apontado como possível dobradinha eleitoral de Moema em Lauro de Freitas, apareceu como um dos nomes centrais da mobilização. Para adversários, a presença de grupos ligados a outras lideranças ajudou a preencher o evento, mas também evidenciou a dificuldade da ex-prefeita em demonstrar força própria no município que sempre foi sua principal base eleitoral.
A situação ganha ainda mais peso porque Moema tenta se reposicionar politicamente após deixar o PT e migrar para o MDB. A mudança de partido aproximou a ex-prefeita de caciques como Geddel e Lúcio Vieira Lima, movimento que ainda divide opiniões entre antigos apoiadores ligados ao campo petista. Para parte desse grupo, a nova aliança representa uma ruptura com a trajetória política construída por Moema ao longo de décadas.
O esvaziamento também expõe um desafio eleitoral concreto. Para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, Moema precisa transformar memória política em voto atual. A dificuldade está em fazer isso depois de uma derrota dura em Lauro de Freitas, de uma gestão marcada por desgaste e de uma migração partidária que ainda não foi completamente absorvida por sua antiga base.
Nos bastidores, aliados tentam minimizar a avaliação negativa e tratam o lançamento como apenas o início de uma caminhada. Adversários, porém, enxergam o episódio como um termômetro do enfraquecimento da ex-prefeita no próprio território. A leitura é que, se Moema não conseguir recuperar presença popular em Lauro de Freitas, terá de depender ainda mais da estrutura do MDB, de dobradinhas regionais e da transferência de votos de outros grupos.
A pré-candidatura está lançada, mas o primeiro ato deixou uma pergunta incômoda para o grupo: depois de quatro mandatos, uma derrota municipal e a saída do PT, Moema ainda consegue mobilizar Lauro de Freitas como antes?