
Cientistas Descobrem Novo Remédio que Promete Aumentar a Vida de Cães Idosos
-
- 12 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
Comprimido LOY-002, da Loyal, pode ser o primeiro tratamento de longevidade canina no mercado.

Salvador, 12 de março de 2025 – Um avanço histórico na medicina veterinária está prestes a mudar a vida dos amantes de cães: cientistas desenvolveram um novo remédio que pode estender a expectativa de vida de cachorros idosos, com 10 anos ou mais, e que pesam pelo menos 6,3 kg (14 libras). O comprimido, chamado LOY-002, criado pela empresa de biotecnologia Loyal, sediada em San Francisco, recebeu apoio inicial da Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, indicando que os dados apresentados oferecem uma “expectativa razoável de eficácia”. A notícia, amplamente discutida em portais como Smithsonian Magazine e The New York Times, marca um passo inédito rumo à aprovação do primeiro medicamento focado em longevidade canina.
O LOY-002 é um comprimido diário com sabor de carne, projetado para melhorar a saúde metabólica de cães idosos, reduzindo os impactos de doenças relacionadas à idade.
Ele é destinado a cachorros de médio a grande porte – excluindo as raças menores, como chihuahuas – que, segundo a Loyal, sofrem um envelhecimento mais acelerado devido a fatores genéticos ligados ao tamanho. “Nosso objetivo é adicionar pelo menos um ano de vida saudável aos cães, mantendo sua qualidade de vida”, afirmou Celine Halioua, fundadora e CEO da Loyal, em um comunicado recente. A empresa planeja lançar o produto no mercado em 2026, caso os ensaios clínicos em andamento, como o estudo STAY, confirmem sua eficácia e segurança.
O estudo STAY, iniciado em dezembro de 2023, é o maior ensaio clínico veterinário da história, envolvendo 1.000 cães em cerca de 70 clínicas nos EUA. Metade dos participantes recebe o LOY-002, enquanto a outra metade toma um placebo, com duração prevista de quatro anos. “Não queremos apenas prolongar a vida, mas garantir que esses anos extras sejam de bem-estar, sem doenças degenerativas”, disse Ellen Ratcliff, vice-presidente de medicina veterinária da Loyal, em entrevista ao dvm360. O primeiro cão a participar, um whippet de 11 anos chamado Boo, simboliza a esperança de donos que sonham em ter mais tempo com seus pets.
O medicamento atua reduzindo os níveis de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina), um hormônio associado ao crescimento e ao envelhecimento acelerado em cães maiores. Estudos preliminares sugerem que níveis mais baixos de IGF-1 estão ligados a menor fragilidade e melhor qualidade de vida, como observado em pesquisas anteriores com cães e outros animais, como vermes e camundongos. “Cães grandes, como grandes daneses ou rottweilers, vivem menos – entre 7 e 10 anos – porque foram seletivamente criados para o tamanho, o que aumenta o IGF-1 e acelera o envelhecimento”, explicou Halioua ao Wired. O LOY-002 busca reverter esse processo metabólico, oferecendo uma solução inédita.
A Loyal já celebrou marcos regulatórios: em novembro de 2023, o LOY-001, uma versão injetável para cães grandes com mais de 7 anos e 18 kg, recebeu aprovação preliminar da FDA. Em fevereiro de 2025, o LOY-002 também conquistou o mesmo aval para sua eficácia, com a empresa agora focada em finalizar os dados de segurança e fabricação para a aprovação condicional. “Estamos abrindo um novo caminho na medicina, tratando o envelhecimento como uma condição evitável”, destacou Halioua em um post no X em 26 de fevereiro. Se bem-sucedido, o comprimido poderá estar disponível ainda este ano sob prescrição veterinária.
A notícia do LOY-002 ressoa entre os donos de pets. “Meu labrador tem 11 anos e pesa 30 kg. Se esse remédio chegar aqui, eu faço o que for preciso para ele viver mais”, disse Ana Costa, moradora do bairro da Pituba. A possibilidade também levanta debates éticos: “Quero que meu cachorro viva mais, mas só se for com saúde. Dois anos extras de sofrimento não valem”, ponderou o veterinário baiano Marcos Silva, ecoando preocupações de especialistas como Kate Creevy, da Texas A&M University, citada pelo New York Times.
O impacto do LOY-002 pode ir além dos cães. Cientistas veem nos cachorros um modelo promissor para estudos de longevidade humana, já que compartilham nosso ambiente e sofrem doenças semelhantes, como artrite e câncer, em um ciclo de vida mais curto. “Se funcionar em cães, pode ser um passo para humanos”, afirmou Halioua ao The Guardian. Por ora, o comprimido representa uma esperança tangível para quem vê nos pets uma parte da família – e quer adiar a inevitável despedida.
