
O governo federal mandou bloquear 27 plataformas de mercado preditivo que operavam no Brasil e aceitavam apostas em temas como eleições, esportes e reality shows. A medida já começou a ser executada pela Anatel e atinge nomes conhecidos desse mercado, como Polymarket e Kalshi. Em páginas públicas dessas plataformas, usuários podiam apostar dinheiro em cenários da eleição presidencial de 2026, incluindo contratos sobre uma eventual vitória de Lula ou de Flávio Bolsonaro.
O ponto mais importante, porém, é separar fato de narrativa. O bloqueio veio depois de essas apostas ganharem visibilidade, mas o governo não disse oficialmente que a decisão foi tomada por causa específica do mercado Lula x Flávio. A justificativa formal foi mais ampla: segundo o Ministério da Fazenda, essas plataformas operavam fora da legislação brasileira, imitavam a lógica das bets e exploravam brechas regulatórias para oferecer produtos sem autorização.

A ofensiva foi anunciada por Dario Durigan, e o entendimento do governo é que esse tipo de operação não se enquadra nem na lei das apostas de quota fixa nem nas regras do sistema financeiro. Na mesma linha, o Conselho Monetário Nacional restringiu derivativos ligados a eventos políticos, esportivos e culturais, deixando espaço apenas para contratos atrelados a indicadores econômicos, como juros e câmbio.
O caso ganhou ainda mais peso porque a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro já vinha atraindo atenção fora das plataformas. Em abril, pesquisas nacionais mostraram os dois em cenário apertado de segundo turno, o que ajuda a explicar por que esse mercado eleitoral passou a chamar tanto interesse de apostadores. O bloqueio agora tira do ar esse tipo de operação no Brasil e recoloca no centro do debate o uso de dinheiro em apostas sobre o processo político.