
O senador Otto Alencar votou contra o relatório final da CPI do Crime Organizado que pedia, entre outros pontos, o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral Paulo Gonet, no eixo ligado ao caso Banco Master. Com o placar de 6 votos a 4, o parecer foi rejeitado e a comissão terminou sem relatório aprovado.
O voto do senador baiano, porém, não ficou restrito ao debate formal da sessão. Apuração original do O Bahia Post mostra que o caso ganha outra dimensão quando se cruza a posição de Otto na CPI com a presença de seu núcleo familiar na trilha financeira do banco investigado.
Documentos citados na cobertura do caso apontam que a Mollitiam Financeira, ligada a Otto Alencar Filho por meio da M&A Participação, recebeu cerca de R$ 12 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. O dado, por si só, não representa prova automática de ilegalidade. Mas cria um constrangimento político evidente: o senador votou para barrar indiciamentos em uma investigação que já alcançou estrutura empresarial ligada a seu filho.
Na sessão, Otto sustentou que o relatório havia extrapolado o fato determinado e se afastado do escopo original da comissão. O argumento foi institucional. O problema é que, fora do plenário, o contexto político é mais sensível. Quando um senador atua para rejeitar um relatório e, ao mesmo tempo, aparece com elo familiar dentro da rede de pagamentos do caso, o escrutínio deixa de ser excesso e passa a ser obrigação pública.
Otto Alencar Filho afirma que os serviços foram regularmente prestados e nega irregularidades. Ainda assim, o episódio empurra o senador para o centro de uma contradição incômoda: ele ajudou a enterrar o relatório de uma CPI que tocou, direta ou indiretamente, interesses relacionados ao seu próprio entorno familiar.