
Um paciente de Ipiaú, no sul da Bahia, fez um apelo após relatar que está há 35 dias aguardando a regulação para um procedimento vascular. Gilson Silva de Almeida, conhecido como Gilson do Restaurante e morador do bairro Santa Rita, afirmou que segue com fortes dores e disse, em vídeo: “Estou tomando morfina”.
O caso expõe uma das faces mais sensíveis da saúde pública na Bahia: a espera por regulação, etapa que organiza a transferência de pacientes e o acesso a procedimentos especializados pelo SUS. Quando esse fluxo falha ou demora, pacientes que já estão em situação grave podem passar dias ou semanas aguardando uma vaga, exame ou autorização para atendimento.
Segundo Gilson, ele permaneceu internado no Hospital Geral de Ipiaú enquanto aguardava a liberação para a cirurgia. Após conseguir a transferência para o Hospital Geral Prado Valadares, em Jequié, o paciente afirma que chegou a ser preparado para o procedimento, mas a cirurgia não teria sido realizada.
Paciente Diz que Exames Não Foram Enviados
No relato, Gilson afirma que a cirurgia acabou travada porque exames necessários não teriam sido encaminhados pela unidade de origem. Ele diz que a situação agravou o sofrimento e prolongou uma espera que já dura mais de um mês.
A informação sobre a ausência dos exames é atribuída ao relato do próprio paciente. Até o momento, não há confirmação pública de qual documento ou exame teria faltado, nem se a pendência ocorreu por falha administrativa, problema no sistema de regulação ou outro motivo.
O caso ganhou repercussão pela gravidade do apelo e pela fala sobre o uso de morfina, medicamento utilizado para controle de dores intensas. A situação também provocou cobranças por uma resposta rápida das unidades envolvidas e das autoridades responsáveis pela rede pública de saúde.
Hospital de Ipiaú Diz que Vai Apurar
Após a denúncia, a direção do Hospital Geral de Ipiaú informou que vai apurar detalhadamente os fatos narrados pelo paciente. Em nota, a unidade afirmou que irá analisar os fluxos de encaminhamento, a documentação assistencial, os exames e os procedimentos regulatórios relacionados ao atendimento.
O hospital também declarou que mantém compromisso com assistência humanizada, ética e tecnicamente qualificada. Segundo a unidade, a apuração tem como objetivo esclarecer completamente o caso e verificar eventuais falhas nos procedimentos adotados.
A manifestação não detalha, até o momento, se os exames citados pelo paciente foram enviados, se houve pendência documental ou qual etapa da regulação impediu a realização do procedimento.
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Espera por Regulação Aumenta Pressão
A regulação é um dos pontos mais críticos do atendimento de média e alta complexidade no SUS. Ela define para onde o paciente será encaminhado, em qual unidade haverá vaga e quando o procedimento poderá ser realizado. Em casos vasculares, a demora pode aumentar o risco clínico, a depender do diagnóstico, da gravidade e da evolução do quadro.
No caso de Gilson, a principal cobrança é por uma definição imediata sobre a cirurgia e por transparência sobre o que impediu a realização do procedimento após a transferência.