
O senador Jaques Wagner (PT-BA) reagiu com irritação ao ser questionado, nesta terça-feira (30), sobre a reportagem que afirma que ele teria procurado o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), dias antes de uma operação da Polícia Federal relacionada ao caso Banco Master.
A abordagem ocorreu durante a inauguração da Policlínica Regional de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Questionado pela equipe do Mais Região sobre o assunto, Wagner respondeu inicialmente: “Eu não falo sobre isso.”
A repórter insistiu e perguntou o motivo da recusa. O senador repetiu: “Porque eu não falo.” Em seguida, ao ser questionado diretamente se havia procurado o ministro André Mendonça, Wagner negou de forma curta: “Não.”
O episódio ocorreu em um momento de forte pressão política sobre o senador baiano. Reportagem da coluna de Malu Gaspar, em O Globo, afirmou que Wagner teria procurado André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, cerca de uma semana antes da operação da Polícia Federal que mirou o parlamentar. A notícia provocou repercussão em Brasília e reacendeu questionamentos sobre os bastidores da investigação.
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Antes da pergunta sobre Mendonça, Wagner também foi questionado sobre rumores de que poderia abrir mão da pré-candidatura ao Senado em favor da deputada Lídice da Mata. O senador rebateu a possibilidade de forma enfática.
“Mentira. Estou candidatíssimo. Eu não tenho que abrir mão de nada”, afirmou.
Após a abordagem, Wagner deixou o espaço da cerimônia. Segundo o Mais Região, o acesso ao senador passou a ser restringido por seguranças e assessores. Ele também não participou da coletiva de imprensa concedida pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) e pelo ministro Rui Costa após o evento.
A reação pública ocorre menos de duas semanas depois de Wagner deixar a liderança do governo no Senado. O senador anunciou a saída do posto após conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alegando que passaria a se dedicar à defesa da própria inocência e ao projeto eleitoral do PT na Bahia.
A investigação envolvendo o Banco Master colocou Wagner no centro de uma das maiores crises políticas recentes do grupo petista baiano. O senador nega irregularidades e tem afirmado que pretende provar sua inocência. Ainda assim, a sequência de episódios — operação da PF, saída da liderança do governo, reportagem sobre o suposto encontro com Mendonça e agora a reação em Camaçari — mantém o caso no centro do debate político na Bahia e em Brasília.