
O governo Lula chegou à reunião com Donald Trump, em Washington, disposto a ampliar a negociação e colocar na mesa temas como minerais críticos e terras raras para tentar impedir que os Estados Unidos enquadrem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Reuters e Associated Press apontam que crime organizado, tarifas e interesses estratégicos dos EUA no Brasil entraram no centro da conversa.
Nos bastidores, o ponto que mais pesa para Brasília é justamente esse. O Planalto resiste à ideia de ver PCC e CV tratados como grupos terroristas e tenta empurrar a discussão para um pacote maior, envolvendo comércio, mineração e cooperação bilateral. A Reuters informou que Lula queria tratar também do interesse americano em construir uma cadeia de terras raras, enquanto a AP destacou que o governo brasileiro prefere industrializar esse setor em vez de virar simples exportador de matéria-prima.
A tensão cresce porque o enquadramento das facções como terroristas é visto pelo governo como uma ameaça com efeitos políticos, econômicos e jurídicos mais pesados para o Brasil. Segundo a AP, a designação daria aos EUA mais poder para agir como ator político e econômico no país, o que explica a resistência de Brasília.
Foi aí que a pauta pegou fogo. O que era para ser uma reunião sobre tarifas e crime organizado virou também uma disputa sobre soberania, pressão externa e interesses estratégicos. Para críticos, Lula estaria disposto a abrir uma conversa sensível sobre riquezas minerais para evitar que PCC e CV recebam dos americanos o rótulo de terroristas. Já o governo tenta vender a ideia de que está defendendo os interesses do país em uma negociação mais ampla.
No fim, o encontro com Trump acabou ganhando um peso muito maior do que uma agenda diplomática comum. De um lado, tarifaço, minerais e comércio. Do outro, o medo de ver as maiores facções criminosas do Brasil tratadas pelos EUA como terrorismo.