
ACM Neto fechou a chapa com que pretende disputar o governo da Bahia em 2026 e consolidou uma aliança que aproxima de vez sua campanha do PL e do bolsonarismo no estado.
Segundo reportagem publicada pela Veja nesta segunda-feira (30), o ex-prefeito de Salvador terá o ex-ministro João Roma em uma das vagas ao Senado, o senador Ângelo Coronel na outra e o prefeito de Jequié, Zé Cocá, na vice. O lançamento da pré-candidatura está previsto para Feira de Santana.
O movimento importa porque redesenha o campo oposicionista baiano e empurra a eleição estadual para uma polarização mais nítida, com reflexos diretos também na disputa presidencial. Ao fechar a composição com o PL de João Roma, ACM Neto deixa mais claro o alinhamento com a direita bolsonarista e abre caminho para um palanque baiano de Flávio Bolsonaro, algo que vinha sendo tratado nos bastidores havia semanas.
A vaga de vice já havia sido antecipada nos últimos dias. Na quinta-feira (26), Zé Cocá foi anunciado como pré-candidato a vice-governador na chapa oposicionista, após convite feito por ACM Neto em Jequié. O prefeito, que comanda uma das cidades mais relevantes do interior baiano, entra na composição como peça estratégica para ampliar o alcance da candidatura fora de Salvador e da Região Metropolitana.
No Senado, a chapa costura dois movimentos de peso. João Roma já era tratado há meses como nome do PL para a disputa, enquanto Ângelo Coronel foi incorporado depois de romper com o grupo governista. Em 17 de março, o senador deixou o PSD e se filiou ao Republicanos, partido que integra a base de apoio de ACM Neto na Bahia. A expectativa de que Coronel ocupasse uma das vagas ao Senado na oposição já vinha sendo tratada por aliados e agora aparece, segundo a Veja, como parte da chapa fechada.
O ponto politicamente mais sensível, porém, está no plano nacional. A Veja afirma que a montagem da chapa sinaliza apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro na Bahia. Essa inclinação já havia sido revelada no início do mês pelo Metro1, que informou, com base em aliados da oposição, que Neto estava cada vez mais disposto a declarar apoio ao senador do PL ainda no primeiro turno, apesar da resistência inicial provocada pela alta rejeição ao bolsonarismo no eleitorado baiano.
A aliança também ajuda a explicar a mudança de posição de figuras que orbitavam outros arranjos. Coronel deixou a base vinculada ao PT depois de perder espaço na formação governista, enquanto o PL consolidou sua entrada formal na chapa majoritária por meio de João Roma. O resultado é uma oposição mais coesa, menos difusa e com desenho eleitoral mais agressivo do que o de 2022.
Para a Bahia, o desdobramento é imediato. A disputa pelo Palácio de Ondina deixa de ser apenas uma corrida estadual e passa a se conectar ainda mais à guerra nacional entre lulismo e bolsonarismo. O que está sendo montado por ACM Neto não é só uma chapa competitiva: é um palanque com ambição de concentrar a oposição baiana em torno de uma mesma narrativa, de um mesmo bloco e, ao que tudo indica, de um mesmo presidenciável.
