
O prefeito de Salvador, Bruno Reis, exaltou a chapa liderada por ACM Neto e reforçou publicamente o discurso de unidade da oposição na Bahia. O gesto ocorre no momento em que o grupo consolida a composição para 2026, com Zé Cocá na vice e os nomes de João Roma e Ângelo Coronel para o Senado, em lançamento marcado para Feira de Santana.
A fala importa porque ajuda a encerrar um ciclo de especulações sobre a engenharia eleitoral do bloco oposicionista e transforma a montagem da chapa em fato político consumado. Mais do que uma declaração de apoio, o movimento de Bruno funciona como selo interno de coesão num momento em que a oposição tenta chegar mais organizada do que em 2022 e com pontes mais explícitas para o PL.
Nos últimos dias, Bruno já vinha preparando o terreno. Em 23 de março, o prefeito afirmou que as conversas estavam “bem avançadas” e disse que a chapa seria apresentada até a semana seguinte. Antes disso, ACM Neto já havia confirmado João Roma como pré-candidato ao Senado e avisado que fecharia a composição ainda em março.
A configuração escolhida atende a uma lógica política clara. Zé Cocá, prefeito de Jequié, entra como nome do interior e foi anunciado por ACM Neto como pré-candidato a vice no último dia 26. João Roma representa a aliança com o PL, enquanto Ângelo Coronel amplia o alcance da chapa no campo do centro e do eleitorado mais pragmático. O evento de lançamento em Feira de Santana foi apresentado como o momento de bater o martelo sobre todos os nomes da majoritária.
Há ainda um efeito nacional nesse arranjo. A aproximação entre ACM Neto e o PL deixou de ser apenas rumor quando o ex-prefeito se reuniu em Brasília com Flávio Bolsonaro, João Roma e Valdemar Costa Neto. Nos bastidores, aliados já admitem a possibilidade de Neto abrir palanque para Flávio na Bahia, o que empurra a disputa estadual para mais perto da polarização nacional entre lulismo e bolsonarismo.
O apoio público de Bruno Reis também pesa porque ele não fala como coadjuvante. Prefeito da capital e principal aliado de ACM Neto, Bruno virou peça central na costura política da oposição e, ao endossar a chapa, ajuda a vender a ideia de que o grupo chegou ao formato que considera mais competitivo para enfrentar Jerônimo Rodrigues e o campo governista. Essa leitura é reforçada pelo histórico recente de declarações em que o prefeito já defendia a necessidade de lançar os “melhores” nomes para a disputa de 2026.
Do ponto de vista formal, a chapa ainda terá de passar pelas etapas legais do calendário eleitoral. Segundo o TSE, as convenções partidárias que oficializam candidaturas ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto do ano da eleição. Até lá, o que existe é uma pré-chapa politicamente fechada e publicamente assumida pelo núcleo da oposição baiana.
O que vem agora é a tentativa de transformar esse desenho em palanque, capilaridade e voto. A oposição aposta que a combinação entre ACM Neto, Zé Cocá, João Roma e Ângelo Coronel produz equilíbrio entre capital, interior, centro e direita. Ao exaltar a composição, Bruno Reis ajuda a fixar exatamente essa mensagem: a de que o grupo quer entrar na eleição com a sensação de time pronto, e não mais de arranjo em construção.
