
A certidão de óbito de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” no caso Banco Master, foi emitida sem indicar a causa da morte. No documento, a informação aparece apenas como “aguardando exames”, apesar de a Polícia Federal ter informado anteriormente que ele morreu após uma tentativa de suicídio enquanto estava sob custódia da corporação em Minas Gerais.
O dado chama atenção porque introduz uma diferença formal importante entre a versão pública já divulgada pela PF e o registro civil do falecimento. Mourão morreu em 6 de março, dois dias depois de ser preso na operação que apura suspeitas de fraude ligadas ao Banco Master. O registro do óbito foi feito no dia seguinte, e o corpo acabou liberado após exames em Belo Horizonte.

Segundo relatos publicados sobre o caso, a ausência do motivo da morte em certidão não é o procedimento mais comum, embora possa ocorrer quando ainda há exames pendentes para definir a causa exata do óbito. Em situações desse tipo, o documento pode ser expedido antes da conclusão pericial para permitir os trâmites de velório e sepultamento.
No dia da morte, a defesa de Mourão informou que a causa havia sido morte encefálica, decorrente de falta de oxigênio no cérebro. Já a Polícia Federal sustentou a hipótese de tentativa de suicídio e abriu procedimento para apurar as circunstâncias do episódio, afirmando que havia imagens do atendimento prestado dentro da unidade.
O caso ganhou novo peso político porque o ministro André Mendonça, relator das investigações no Supremo, negou à CPI do Crime Organizado acesso aos dados da morte de “Sicário” enquanto as diligências seguem em andamento. Com a certidão sem causa conclusiva e a investigação ainda aberta, a pressão agora se desloca para os laudos periciais que deverão esclarecer, de forma definitiva, como Mourão morreu.
