
A futura Ponte Salvador-Itaparica não poderá ser usada por pedestres nem por ciclistas. A restrição já consta nas informações oficiais do projeto e vale para uma das obras de infraestrutura mais aguardadas da Bahia, prevista para ligar Salvador a Vera Cruz por uma travessia de 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos.
A definição frustra uma parte da população porque afasta a ideia de uma ponte com uso mais amplo, aberta também a deslocamentos não motorizados. Mas o projeto foi concebido desde a origem como um sistema rodoviário intermunicipal, voltado ao tráfego de média e longa distância, e não como uma via urbana integrada ao deslocamento cotidiano de pedestres e bicicletas.
As justificativas apresentadas são técnicas. Segundo o material oficial, a estrutura terá trechos com até 85 metros de altura, rampas longas e exposição a ventos mais intensos do que ao nível do mar. No caso dos ciclistas, os estudos apontam que a travessia completa exigiria esforço prolongado, com tempo médio de cerca de 54 minutos de pedal, além de subidas e rajadas de vento que aumentariam o risco operacional. Por isso, o projeto não inclui ciclovia nem passagem para quem pretende fazer o percurso a pé.
O desenho atual da ponte também já prevê a lógica de cobrança. Haverá duas praças de pedágio na Ilha de Itaparica, com tarifa-base de R$ 45 em Mar Grande e R$ 5 na região da Ponte do Funil, em valores de janeiro de 2019, sujeitos a reajuste pelo IPCA até a inauguração. Na prática, uma viagem de ida e volta em até 24 horas custará R$ 50, com desconto no retorno. As obras em campo devem começar em junho de 2026.