
O deputado estadual Diego Castro afirmou que a Bahia estaria sendo “vendida” para a China e questionou a presença de trabalhadores chineses em Camaçari, onde fica o complexo industrial da BYD.
Em vídeos publicados nas redes sociais, o parlamentar disse que existe uma espécie de “cidade chinesa” sendo construída na região e sugeriu que a estrutura serviria para abrigar estrangeiros trazidos ao estado para ocupar postos que, segundo ele, deveriam ser destinados à mão de obra baiana.
A declaração ganhou repercussão porque atinge um dos maiores investimentos industriais em curso na Bahia e recoloca sob pressão um tema já sensível desde o ano passado: a atuação de trabalhadores chineses nas obras da montadora. O debate mistura geração de empregos, fiscalização trabalhista e o peso político de um empreendimento tratado como estratégico para a reindustrialização de Camaçari.
Durante visita às instalações da fábrica, Diego Castro cobrou mais transparência sobre contratações, alojamentos e sobre o número de estrangeiros envolvidos no projeto. O deputado defendeu prioridade para trabalhadores baianos e disse que o avanço de um empreendimento desse porte não pode ocorrer sem esclarecimentos públicos mais detalhados. Até aqui, porém, o que existe de forma objetiva é a manifestação política do parlamentar; ele não apresentou, nas falas tornadas públicas, documentos que comprovem a existência da chamada “cidade chinesa”.
O tema já vinha cercado de forte desgaste desde dezembro de 2024, quando uma força-tarefa federal resgatou 163 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão nas obras da unidade. Na ocasião, o governo federal informou que os operários atuavam para uma prestadora de serviços, e a BYD anunciou o rompimento com a terceirizada responsável.
A fala de Diego Castro, portanto, não surge no vazio. Ela se encaixa em um ambiente já tensionado por denúncias trabalhistas, pressão por empregos locais e disputa política em torno da presença chinesa no projeto. O que passa a importar agora é se o caso ficará apenas no discurso de rede social ou se haverá desdobramento formal com cobrança institucional por documentos, fiscalização e resposta oficial.